quinta-feira, 12 de setembro de 2013

As Putas Também Amam

As putas também amam


Ah! Mulher, menina!
Nua, forte, pensante
Moça decidida, linda e também amante

Como posso conquistar-te?
A sua fala medida me envenena
A sua dança incontida me embriaga

Qual o teu segredo?
Qual a tua história?

Deixa-me infiltrar nas entranhas de teus sentimentos
Deixa-me mergulhar no âmago do teu choro desavisado
Deixa-me sentir em teu peito o sangue pulsante de um sincero abraço

Puto que sou!
Puta que és!
Um casal embebido no egoismo da noite

O que me trará o amanhecer?
Um sorriso teu, apenas, há de ser


Por Guilherme Ladenthin

domingo, 30 de junho de 2013


Chá Verde



O dia virou noite

As ruas estão vazias

Vazio, o que está vazio?

O mundo? As pessoas?

Eu?



Uma bela árvore ilumina

este dia cinza.

Roxa, cor destoante de tudo

Do dia, do mundo, das pessoas

De mim.

 

O que é real?

O que não é?

 

A noite chegou

Nada mudou...


Por Guilherme Ladenthin

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Paz traíra do canto da sereia


Dia desses encontrei a Paz. Que nunca pensei encontrar.
Ela veio, se aproximou. Tímida, a afrouxar-se demorou.
Se apresentou. Pensei – será mesmo ela? Tão diante de mim?
Mais desatada, Ela chegou, sem que eu pudesse perceber
Me tocou, e fez sentir sua anestesia
Uma sereia parecia, com seu canto que seduz.
O êxtase não me veio. A Paz sim, profunda...
Pico do Monte Everest – serenidade do silêncio que ensurdece

Deixei-a me levar, pra onde quisesse. Não tive o que fazer
Por tanto esperei... merecia! E ela, cativava-me, mais!
Sim, desconfiei. Mas a Paz imperou
Não podia duvidar. Tive de deixá-la me levar
Deixei, e desabei. Precisava.
Não dava...

Divina, só quando não apunhala
Pelas costas
Ouvi o canto da sereia, e permiti-me seduzir
Sorte
O resultado não é morte
Vida nova!
Por vezes me tento ao calabouço
Eu sei. Não posso.
Meu mundo, agora, se abriu
Me apego se esvaiu
E eu, cresci.


Fábio Blanco

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Outro dia...

Um dia me vi preso à vida
Outro dia me vi livre dela.

Um dia me escutei chorando
Outro dia minhas lágrimas secaram.

Um dia me vi sonhando
Outro dia não me vi mais.

Um dia me vi amando
Outro dia não senti nada

Um dia, simplesmente, eu me vi.
Outro dia...


Por Guilherme Ladenthin

domingo, 20 de janeiro de 2013

O texto a seguir não pretende esgotar todo o assunto relacionado à República Baurete, seus integrantes, agregados e frequentadores, mas apenas dar uma visão generalíssima da coisa. Dito isso, espera-se que os comentários complementem e enriqueçam a his(es)tória.



BAURETE CASA ABERTA
por Guilherme Faraco


Logo acima da porta por onde se entra para a sala, é possível ler o brocardo latino erga omnes, que significa, basicamente, para todos, ou que se estende a todos. Assim é a Baurete - uma casa que recebe a todos.

O nome vem da alcunha dado por um artista monstro da música brasileira, que assim costumava chamar seus cigarrinhos. O espírito, cultivado pelos seus integrantes originais, os pilgrim fathers bauretianos, dá continuidade a uma tradição da arte boêmia da casa aberta, inaugurada, segundo alguns, por Vinicius de Moraes, no Rio de Janeiro, e há muito esquecida em terrae brasilis.

A casa, ou melhor, o espaço físico, é o de menos. Não há um solo sagrado para os bauretes. Há sim, uma sede, que não é fixa, e contabiliza-se dois êxodos realizados pelo seu povo - da casa I para a II, e desta para a III, onde agora plantam seus manacás e jasmins. Mas os bauretes levam seu estandarte para onde quer que vão, sejam bares ou ilhas distantes.

Hugo Bauretius, Giulius Bauretius e Mauricius Bauretius são os pais fundadores dessa pequena, porém orgulhosa nação.

O primeiro, Magnífico Anfitrião, Senhor das Terras, Grão-Semeador e Sumo-Pontífice, responsável pelas oferendas aos deuses da Sede e da Larica.

O segundo, Chanceler das Artes, Mestre dos Sons e Filósofo-mor, tem seu esplêndido busto e seu proeminente naso eternamente gravados em um mural, ao lado da tríade de questões que compõem o cerne de sua complexa e muito glosada filosofia. Também é responsável pelos ritos que dão início às Assembleias-Gerais, que consistem, fundamentalmente, em colocar uma cadeira de plástico em cima do Fusca e ligar para o Águas.

O terceiro é Guardião do Livro Das Leis Às Quais Nem Sempre São Respeitadas. Diz a lenda que essas escrituras não muito sagradas foram roubadas por Mauricius Bauretius, após estuprar as “virgens” que as protegiam, e trazidas de uma terra longínqua denominada pelos selvagens que lá habitam de UEL, onde os bauretes não atrevem se aventurar. As Escrituras servem, de fato, para o divertimento da população na ocasião em que são lidos alguns de seus artigos esdrúxulos, bem como de apoio para o preparo daquilo que dá nome à República, o que é terminantemente proibido pelas tais Escrituras.

As paredes da Casa Baurete III, templo profanado, encontram-se repletas dos mais variados escritos. Alguns (muitos, na verdade) não fazem o menor sentido para o estrangeiro não iniciado na linguagem falada e nas tradições dos bauretes. É possível identificar, porém, aforismos gregos (“γνῶθι σεαυτόν”), frases de Dante Alighieri (“Lasciate ogni esperanza voi ch’entrate”), de poetas portugueses e brasileiros, além dos afamados Versos Malandrinos (“Meu nome é Malandrão / e eu gosto de beijar na boca”).


Evento sagrado para os bauretes é a sua migração anual para a Ilha do Mel, que se dá no mês de outubro. Trata-se de verdadeira romaria, na qual o árduo caminho é trilhado em automóveis 1.0 e pode levar semanas, caso se percam em Curitiba ou na BR-101, o que, via de regra, acontece. Muitos bauretes perdem suas vidas durante a viagem, e não conseguem procriar. 

Outras datas importantes para os bauretes: as terças-feiras são guardadas para a peregrinação ao Valentino e o culto à Terça-Tilt. A Noite do Vininha, em homenagem ao Poetinha Vinicius de Moares, é celebrada na data que coincide com o solstício de inverno no hemisfério norte (aqui, solstício de verão), na qual os druidas se reúnem em Stonehenge. Nesta data, excepcionalmente, os bauretes se entregam ao consumo de uísque, substituindo os destilados habitualmente sorvidos, a saber, vinho da Quinta do Morgado, aperitivos de gengibre erroneamente referidos como “conhaque”, dentre os quais se destacam os da marca Domecq, Domus, Dreher, entre outros. Data comemoradíssima é o Natal Baurete, que nada tem a ver com a celebração cristã, sendo realizado no dia 09 de dezembro. Trata-se, de fato, de uma festa pagã onde uma fogueira é montada no intuito de se assar uma leitoa, que é comida no início da madrugada a título de ceia. Celebra-se, neste data, o nascimento do Cavalo Hilário. A casa toda é enfeitada com esmero, e presenças ilustres dão o ar da sua graça. Na última celebração, nada menos do que Carlos Camargo compareceu aos festejos! Espera-se, no ano que vem, o comparecimento de Joaquim Barbosa, e concerto ao vivo de Jorge Ben Jor, acompanhado pel’Os Mutantes.

Mas não vá pensar, ó leitor desavisado, que a Baurete é um paraíso terreno. Ledo engano! Os territórios pelos quais se estende a República Baurete são extremamente hostis, onde apenas os(as) mais fortes, dotados de um sistema imunológico extremamente bem desenvolvido, sobrevivem! Ademais, mister é ter a alma de um desapegado, coisa raríssimo nesta sombria era onde impera o materialismo! Vale ressaltar, outrossim, que a filosofia da Paz de Espírito foi há muito tempo rejeitada pelos bauretes, pois não são eles nem românticos nem utópicos, mas verdadeiros realistas e de certa forma, fatalistas. Não é a toa que, acima das Armas da República Baurete, encontra-se outra axioma em latim: “ERRARE HVMANVM EST”!

domingo, 13 de janeiro de 2013

O que os pais esperam dos filhos

- Filho, e aí? O que você tá pensando em fazer quando terminar a facu?

- Putz, pai... não sei, não.

- Não sabe? Mas você precisa saber. Você tem que fazer alguma coisa pra ganhar o seu dinheirinho.

- Eu sei, pai. Mas tá foda...

- Tá foda o quê?

- Ah, pai... sei lá, na real não queria fazer nada.

- Como assim, não queria fazer nada?

- É, pai. Eu queria ficar mais na boa.

- Ficar mais na boa?!

- Ah, pai... eu não gosto muito de trabalhar. Prefiro ficar mais tranquilo.

- Não acredito que você tá me falando isso. Com essa idade! Já era pra você tá ganhando o seu dinheiro! Porque com a sua idade...

- Eu sei, pai. Com a minha idade você já trabalhava. Mas eu não tô afim.

- Você tá afim do quê, então???

- Ah, pai... eu tô afim é de ficar olhando pra elas.

- Pra elas, quem?

- Pra elas, ué! Aquelas de quem você quis tanto que eu gostasse. E acho que você rezou tanto que eu quero elas o dia inteiro.

- Que isso? Mas você tá pensando o quê da vida, meu filho??? Não sei nem por que a gente tá falando disso. Você precisa trabalhar!

- Pai, mas eu não quero...

- Pelo amor de Deus! Você acha que ficar coçando o saco "na boa" e "olhando pra elas" vai te dar alguma coisa?

- Acho!

domingo, 28 de outubro de 2012

Afaste-me

Deus, ou alguém
Afaste-me delas
Estas que em sua forma têm o que quero
Mas que nunca poderão me dar aquilo que tanto espero

Deus
Afaste-me destas que dizem não contar com tua aprovação
Mas que têm tanta graça
E me enchem de tesão

Por favor, meu pai
Não me deixe assim
Tu me fizeste tão apaixonado
À beira deste traiçoeiro trampolim

Tenha piedade, por favor
Olhe por mim
Que já sofri antes
Já tentei me desvincular destas angústias tão pedantes

Viver assim não dá
É acordar uma vez feliz
E a vida toda inconformado
Com elas que tem esse passado
De uma errante imperatriz



Fábio Blanco

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

A difícil hora do adeus e a pena que isso vale

O Minas disse ontem que escreveria alguma coisa aqui pra dar uma revigorada nesse Molha a Palavra. Como ele não o fez, já que era seu aniversário e ele chegou chapado em casa - com todo o direito -, faço eu.

Quero pegar o gancho do título do último poema postado pelo nosso caro amigo de Ouro Fino - o mais novo 24 - e claro, da nossa mais recente visita ao paraíso no Paraná, Ilha do Mel.

Na segunda-feira, quando quase todos da nossa turma já haviam deixado a ilha, fui com os demais restantes Nin e Minas almoçar no Mar e Sol. Em meio aos penosos últimos goles daquela gelada que me afligia ainda mais, disse aos dois o que vou escrever agora.

Quando chegamos ao topo do farol, Caio Pinto, Minas e eu, no domingo fim de tarde, senti uma daquelas coisas raras, que te fazem pensar - puta que o pariu, mas como vale a pena viver! Como vale a pena passar por uma segunda-feira cansada! Como vale a pena ver o sol daquele melancólico domingo caindo por trás do Bar Brasil ao fim de um jogo - e por vezes de uma derrota - do meu Tricolor! Como vale a pena tomar um pé na bunda daquela menina linda de quem você gosta, ou então vários 'nãos' de algumas delas por aí, pós jogar sua paz de espírito no chão e pisá-la com todo o gosto!

É isso que quis dizer naquele pungente último almoço na ilhinha. Pegando o ganho do 'Desapego', enfim, senti-me assim porque sou apegado. É como se a cada lugar que eu vá, sinta-me deixando pedaços de mim. Assim é na ilhinha. É por isso que gosto tanto daquele lugar. Para poder me reencontrar. E sabe-se lá quando isso vai acontecer. É por isso que sinto tanto.


Foto da subida do Farol em outubro de 2006, na primeira vez em que lá estive

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Desapego

Desapego

Caminho...
Caminho horas a fio sem parar
Sem rumo para não estragar
esta falaciosa sensação de liberdade

Imóvel...
Imóvel eu fico a pensar
Meus pensamentos a viajar
em sonhos que se movimentam a todo instante

Preso...
Preso, sinto a sensação do conforto
Conforto triste, encostado e morto
Será este o meu lugar?

Livre...
Livre sou eu
Quando caminho com a vida
Quando imóvel admiro
Quando preso amo.
Livre...
Livre sou eu

Por Guilherme Ladenthin

terça-feira, 31 de julho de 2012


O Partido Pirata no Brasil

por Guilherme Faraco


A princípio, os números não parecem expressivos, mas demonstram como a mobilização na internet pode (e deve) sair do mundo virtual e ser bem sucedida no mundo real. Falo do Partido Pirata, fundado originalmente na Suécia (lá denominado PiratPartiet), em 2006, e cuja sigla se alastrou por pelo menos 40 países, registrados oficialmente ou ainda inoficiais.

Nas eleições para o Parlamento Europeu de 2009, o PiratPartiet sueco recebeu 7,1% dos votos no seu respectivo país, e assim elegeu dois deputados, os quais terão uma legislatura de 05 anos. Outra relevante vitória do partido deu-se nas eleições para o Estado de Berlim (Berlim é uma cidade-estado), onde concorreu pela primeira vez. Foram 8,9% dos votos, obtendo 15 dos 152 assentos do Abgeordnetenhaus (câmara dos deputados).

O partido nasceu com o escopo de defender as liberdades da internet, o que não significa necessariamente que a rede deva ser uma “terra sem lei”, haja vista que os “piratistas” defendem a sua regulamentação, bem como não abdicam das garantias da propriedade privada, dos direitos autorais e a punição para crimes cibernéticos. O que eles querem é uma discussão racional e democrática a respeito da www, até então dominada por grupos que, atrasados como são, não souberam se adaptar ao novo mercado eletrônico e tiveram prejuízos consideráveis com essa nova ordem digital. Milhões de usuários encontraram-se logo em posição de vulnerabilidade e carentes de representação contra esses grupos retrógrados. O Partido Pirata surge neste cenário para suprir a necessidade de representação política dessa enorme parcela pessoas.

Conforme o partido crescia, novas bandeiras foram acrescidas ao seu programa, com destaque para reivindicações ambientais, decorrentes da insatisfação gerada pelo distanciamento dos partidos verdes de seus programas originais e os parcos resultados obtidos pela militância ecológica tradicional.

Em 29 de julho de 2012, o Partido Pirata foi lançado no Brasil durante a Campus Party de Recife, onde encontrava-se o fundador da sigla original, o sueco Rick Falkvinge. O proto-partido brasileiro ainda precisa obter aproximadamente 480 mil assinaturas para obter seu registro no Tribunal Superior Eleitoral (v. Lei 9.096/95).

Feita esta breve apresentação do Partido Pirata, pretendemos agora tecer algumas considerações.

A Revolução Digital caminha a passos largos, e o desenvolvimento tecnológico que pauta a revolução se dá de maneira exponencial. O desenvolvimento rápido não é acompanhado por reflexões aprofundadas sobre as suas consequências, e mesmo quando isso ocorre, muita vezes o objeto da reflexão já se tornou obsoleto. O debate político e a regulamentação de diversos aspectos da Revolução caminham ainda mais lentamente.

Neste contexto, o Partido Pirata procura trazer o “outro lado” no debate sobre as liberdades da internet e seus limites, dominado até então pelos grupos que possuem efetivamente a força política e que demonstraram o conservadorismo típico daqueles que não têm a capacidade para enxergar as novas oportunidades trazidas pela Revolução. Não percebem como suas demandas são inviáveis pela configuração atual das relações humanas, tanto no aspecto social como comercial.

Desafios não faltam ao Partido Pirata. Como dito anteriormente, a efemeridade é a regra no contexto da Revolução Digital. O que hoje é novidade e parece indispensável, logo é deixado de lado. O contexto no qual surgiu o Partido poderá ser também a sua sina. Sua principal luta será contra o esmaecimento, a efemeridade, o esquecimento. Portanto, é hora do Partido se fortalecer e concretizar sua base ideológica, aliando-se a isso o crescimento da presença política nos governos e o estabelecimento de um eleitorado fiel. Imprescindível também será uma certa dose de flexibilidade política, no sentido de abraçar novas causas, sem distanciar-se de sua natureza ímpar e seus objetivos iniciais.

No Brasil, em especial, espera-se que o provável novo partido venha a tornar-se uma luz no fim do túnel para aqueles que desejam entrar para a vida política, mas sentem-se desmotivados em razão do descrédito generalizado dos partidos nacionais e a ruína do discurso político no país. 

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