As putas também amam
Ah! Mulher, menina!
Nua, forte, pensante
Moça decidida, linda e também amante
Como posso conquistar-te?
A sua fala medida me envenena
A sua dança incontida me embriaga
Qual o teu segredo?
Qual a tua história?
Deixa-me infiltrar nas entranhas de teus sentimentos
Deixa-me mergulhar no âmago do teu choro desavisado
Deixa-me sentir em teu peito o sangue pulsante de um sincero abraço
Puto que sou!
Puta que és!
Um casal embebido no egoismo da noite
O que me trará o amanhecer?
Um sorriso teu, apenas, há de ser
Por Guilherme Ladenthin
O Molha a Palavra é um espaço criado por alguns amigos desocupados, no intuito de discutir as coisas da vida. Você está mais que convidado(a) a participar de todo esse papo de botequim. É só puxar uma cadeira, apresentar-se e passar a molhar palavras com a moçada! Seja bem-vindo(a)!
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
domingo, 30 de junho de 2013
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Paz traíra do canto da sereia
Dia desses encontrei a Paz. Que
nunca pensei encontrar.
Ela veio, se aproximou.
Tímida, a afrouxar-se demorou.
Se apresentou. Pensei – será
mesmo ela? Tão diante de mim?
Mais desatada, Ela chegou,
sem que eu pudesse perceber
Me tocou, e fez sentir sua
anestesia
Uma sereia parecia, com seu
canto que seduz.
O êxtase não me veio. A Paz sim,
profunda...
Pico do Monte Everest –
serenidade do silêncio que ensurdece
Deixei-a me levar, pra onde
quisesse. Não tive o que fazer
Por tanto esperei...
merecia! E ela, cativava-me, mais!
Sim, desconfiei. Mas a Paz
imperou
Não podia duvidar. Tive de
deixá-la me levar
Deixei, e desabei. Precisava.
Não dava...
Divina, só quando não apunhala
Pelas costas
Ouvi o canto da sereia, e
permiti-me seduzir
Sorte
O resultado não é morte
Vida nova!
Por vezes me tento ao
calabouço
Eu sei. Não posso.
Meu mundo, agora, se abriu
Me apego se esvaiu
E eu, cresci.
Fábio Blanco
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
domingo, 20 de janeiro de 2013
O texto a seguir não pretende esgotar todo o assunto relacionado à República Baurete, seus integrantes, agregados e frequentadores, mas apenas dar uma visão generalíssima da coisa. Dito isso, espera-se que os comentários complementem e enriqueçam a his(es)tória.
BAURETE CASA ABERTA
por Guilherme Faraco
Logo acima da porta por onde se entra para a sala, é possível ler o brocardo latino erga omnes, que significa, basicamente, para todos, ou que se estende a todos. Assim é a Baurete - uma casa que recebe a todos.
Hugo Bauretius, Giulius Bauretius e Mauricius Bauretius são os pais fundadores dessa pequena, porém orgulhosa nação.
Evento sagrado para os bauretes é a sua migração anual para a Ilha do Mel, que se dá no mês de outubro. Trata-se de verdadeira romaria, na qual o árduo caminho é trilhado em automóveis 1.0 e pode levar semanas, caso se percam em Curitiba ou na BR-101, o que, via de regra, acontece. Muitos bauretes perdem suas vidas durante a viagem, e não conseguem procriar.
domingo, 13 de janeiro de 2013
O que os pais esperam dos filhos
- Filho, e aí? O que você tá pensando em fazer quando terminar a facu?
- Putz, pai... não sei, não.
- Não sabe? Mas você precisa saber. Você tem que fazer alguma coisa pra ganhar o seu dinheirinho.
- Eu sei, pai. Mas tá foda...
- Tá foda o quê?
- Ah, pai... sei lá, na real não queria fazer nada.
- Como assim, não queria fazer nada?
- É, pai. Eu queria ficar mais na boa.
- Ficar mais na boa?!
- Ah, pai... eu não gosto muito de trabalhar. Prefiro ficar mais tranquilo.
- Não acredito que você tá me falando isso. Com essa idade! Já era pra você tá ganhando o seu dinheiro! Porque com a sua idade...
- Eu sei, pai. Com a minha idade você já trabalhava. Mas eu não tô afim.
- Você tá afim do quê, então???
- Ah, pai... eu tô afim é de ficar olhando pra elas.
- Pra elas, quem?
- Pra elas, ué! Aquelas de quem você quis tanto que eu gostasse. E acho que você rezou tanto que eu quero elas o dia inteiro.
- Que isso? Mas você tá pensando o quê da vida, meu filho??? Não sei nem por que a gente tá falando disso. Você precisa trabalhar!
- Pai, mas eu não quero...
- Pelo amor de Deus! Você acha que ficar coçando o saco "na boa" e "olhando pra elas" vai te dar alguma coisa?
- Acho!
domingo, 28 de outubro de 2012
Afaste-me
Deus, ou alguém
Afaste-me delas
Estas que em sua forma têm o que quero
Mas que nunca poderão me dar aquilo que tanto espero
Deus
Afaste-me destas que dizem não contar com tua aprovação
Mas que têm tanta graça
E me enchem de tesão
Por favor, meu pai
Não me deixe assim
Tu me fizeste tão apaixonado
À beira deste traiçoeiro trampolim
Tenha piedade, por favor
Olhe por mim
Que já sofri antes
Já tentei me desvincular destas angústias tão pedantes
Viver assim não dá
É acordar uma vez feliz
E a vida toda inconformado
Com elas que tem esse passado
De uma errante imperatriz
Fábio Blanco
Afaste-me delas
Estas que em sua forma têm o que quero
Mas que nunca poderão me dar aquilo que tanto espero
Deus
Afaste-me destas que dizem não contar com tua aprovação
Mas que têm tanta graça
E me enchem de tesão
Por favor, meu pai
Não me deixe assim
Tu me fizeste tão apaixonado
À beira deste traiçoeiro trampolim
Tenha piedade, por favor
Olhe por mim
Que já sofri antes
Já tentei me desvincular destas angústias tão pedantes
Viver assim não dá
É acordar uma vez feliz
E a vida toda inconformado
Com elas que tem esse passado
De uma errante imperatriz
Fábio Blanco
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
A difícil hora do adeus e a pena que isso vale
O Minas disse ontem que escreveria alguma coisa aqui pra dar uma revigorada nesse Molha a Palavra. Como ele não o fez, já que era seu aniversário e ele chegou chapado em casa - com todo o direito -, faço eu.
Quero pegar o gancho do título do último poema postado pelo nosso caro amigo de Ouro Fino - o mais novo 24 - e claro, da nossa mais recente visita ao paraíso no Paraná, Ilha do Mel.
Na segunda-feira, quando quase todos da nossa turma já haviam deixado a ilha, fui com os demais restantes Nin e Minas almoçar no Mar e Sol. Em meio aos penosos últimos goles daquela gelada que me afligia ainda mais, disse aos dois o que vou escrever agora.
Quando chegamos ao topo do farol, Caio Pinto, Minas e eu, no domingo fim de tarde, senti uma daquelas coisas raras, que te fazem pensar - puta que o pariu, mas como vale a pena viver! Como vale a pena passar por uma segunda-feira cansada! Como vale a pena ver o sol daquele melancólico domingo caindo por trás do Bar Brasil ao fim de um jogo - e por vezes de uma derrota - do meu Tricolor! Como vale a pena tomar um pé na bunda daquela menina linda de quem você gosta, ou então vários 'nãos' de algumas delas por aí, pós jogar sua paz de espírito no chão e pisá-la com todo o gosto!
É isso que quis dizer naquele pungente último almoço na ilhinha. Pegando o ganho do 'Desapego', enfim, senti-me assim porque sou apegado. É como se a cada lugar que eu vá, sinta-me deixando pedaços de mim. Assim é na ilhinha. É por isso que gosto tanto daquele lugar. Para poder me reencontrar. E sabe-se lá quando isso vai acontecer. É por isso que sinto tanto.
Foto da subida do Farol em outubro de 2006, na primeira vez em que lá estive
Quero pegar o gancho do título do último poema postado pelo nosso caro amigo de Ouro Fino - o mais novo 24 - e claro, da nossa mais recente visita ao paraíso no Paraná, Ilha do Mel.
Na segunda-feira, quando quase todos da nossa turma já haviam deixado a ilha, fui com os demais restantes Nin e Minas almoçar no Mar e Sol. Em meio aos penosos últimos goles daquela gelada que me afligia ainda mais, disse aos dois o que vou escrever agora.
Quando chegamos ao topo do farol, Caio Pinto, Minas e eu, no domingo fim de tarde, senti uma daquelas coisas raras, que te fazem pensar - puta que o pariu, mas como vale a pena viver! Como vale a pena passar por uma segunda-feira cansada! Como vale a pena ver o sol daquele melancólico domingo caindo por trás do Bar Brasil ao fim de um jogo - e por vezes de uma derrota - do meu Tricolor! Como vale a pena tomar um pé na bunda daquela menina linda de quem você gosta, ou então vários 'nãos' de algumas delas por aí, pós jogar sua paz de espírito no chão e pisá-la com todo o gosto!
É isso que quis dizer naquele pungente último almoço na ilhinha. Pegando o ganho do 'Desapego', enfim, senti-me assim porque sou apegado. É como se a cada lugar que eu vá, sinta-me deixando pedaços de mim. Assim é na ilhinha. É por isso que gosto tanto daquele lugar. Para poder me reencontrar. E sabe-se lá quando isso vai acontecer. É por isso que sinto tanto.
Foto da subida do Farol em outubro de 2006, na primeira vez em que lá estive
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Desapego
Desapego
Caminho...
Caminho horas a fio sem parar
Sem rumo para não estragar
esta falaciosa sensação de liberdade
Imóvel...
Imóvel eu fico a pensar
Meus pensamentos a viajar
em sonhos que se movimentam a todo instante
Preso...
Preso, sinto a sensação do conforto
Conforto triste, encostado e morto
Será este o meu lugar?
Livre...
Livre sou eu
Quando caminho com a vida
Quando imóvel admiro
Quando preso amo.
Livre...
Livre sou eu
Por Guilherme Ladenthin
terça-feira, 31 de julho de 2012
O Partido Pirata no Brasil
por Guilherme Faraco
A princípio, os
números não parecem expressivos, mas demonstram como a mobilização na internet
pode (e deve) sair do mundo virtual e ser bem sucedida no mundo real. Falo do Partido
Pirata, fundado originalmente na Suécia (lá denominado PiratPartiet), em 2006, e cuja sigla se alastrou por pelo menos 40
países, registrados oficialmente ou ainda inoficiais.
Nas eleições
para o Parlamento Europeu de 2009, o PiratPartiet
sueco recebeu 7,1% dos votos no seu respectivo país, e assim elegeu dois
deputados, os quais terão uma legislatura de 05 anos. Outra relevante vitória
do partido deu-se nas eleições para o Estado de Berlim (Berlim é uma
cidade-estado), onde concorreu pela primeira vez. Foram 8,9% dos votos, obtendo
15 dos 152 assentos do Abgeordnetenhaus
(câmara dos deputados).
O partido
nasceu com o escopo de defender as liberdades da internet, o que não significa
necessariamente que a rede deva ser uma “terra sem lei”, haja vista que os
“piratistas” defendem a sua regulamentação, bem como não abdicam das garantias
da propriedade privada, dos direitos autorais e a punição para crimes
cibernéticos. O que eles querem é uma discussão racional e democrática a
respeito da www, até então dominada por grupos que, atrasados como são, não
souberam se adaptar ao novo mercado eletrônico e tiveram prejuízos
consideráveis com essa nova ordem digital. Milhões de usuários encontraram-se
logo em posição de vulnerabilidade e carentes de representação contra esses
grupos retrógrados. O Partido Pirata surge neste cenário para suprir a
necessidade de representação política dessa enorme parcela pessoas.
Conforme o
partido crescia, novas bandeiras foram acrescidas ao seu programa, com destaque
para reivindicações ambientais, decorrentes da insatisfação gerada pelo
distanciamento dos partidos verdes de seus programas originais e os parcos
resultados obtidos pela militância ecológica tradicional.
Em 29 de julho
de 2012, o Partido Pirata foi lançado no Brasil durante a Campus Party de Recife, onde encontrava-se o fundador da sigla
original, o sueco Rick Falkvinge. O proto-partido brasileiro ainda precisa
obter aproximadamente 480 mil assinaturas para obter seu registro no Tribunal
Superior Eleitoral (v. Lei 9.096/95).
Feita esta
breve apresentação do Partido Pirata, pretendemos agora tecer algumas
considerações.
A Revolução
Digital caminha a passos largos, e o desenvolvimento tecnológico que pauta a
revolução se dá de maneira exponencial. O desenvolvimento rápido não é
acompanhado por reflexões aprofundadas sobre as suas consequências, e mesmo
quando isso ocorre, muita vezes o objeto da reflexão já se tornou obsoleto. O
debate político e a regulamentação de diversos aspectos da Revolução caminham
ainda mais lentamente.
Neste
contexto, o Partido Pirata procura trazer o “outro lado” no debate sobre as
liberdades da internet e seus limites, dominado até então pelos grupos que
possuem efetivamente a força política e que demonstraram o conservadorismo
típico daqueles que não têm a capacidade para enxergar as novas oportunidades
trazidas pela Revolução. Não percebem como suas demandas são inviáveis pela
configuração atual das relações humanas, tanto no aspecto social como
comercial.
Desafios não
faltam ao Partido Pirata. Como dito anteriormente, a efemeridade é a regra no
contexto da Revolução Digital. O que hoje é novidade e parece indispensável,
logo é deixado de lado. O contexto no qual surgiu o Partido poderá ser também a
sua sina. Sua principal luta será contra o esmaecimento, a efemeridade, o
esquecimento. Portanto, é hora do Partido se fortalecer e concretizar sua base
ideológica, aliando-se a isso o crescimento da presença política nos governos e
o estabelecimento de um eleitorado fiel. Imprescindível também será uma certa
dose de flexibilidade política, no sentido de abraçar novas causas, sem
distanciar-se de sua natureza ímpar e seus objetivos iniciais.
No Brasil, em
especial, espera-se que o provável novo partido venha a tornar-se uma luz no
fim do túnel para aqueles que desejam entrar para a vida política, mas
sentem-se desmotivados em razão do descrédito generalizado dos partidos
nacionais e a ruína do discurso político no país.
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